O diabetes pode causar uma de suas complicações crônicas conhecida como “Úlceras do Pé Diabético” (UPD); segundo as estatísticas, aproximadamente 1/4 dos pacientes diabéticos já enfrentaram os desafios do “Pé Diabético” em suas vidas. As chamadas Úlceras do Pé Diabético (UPD) referem-se a complicações nos membros inferiores causadas pelo controle inadequado dos níveis de açúcar no sangue por um período prolongado. Em outras palavras, qualquer parte do pé de um paciente diabético pode desenvolver feridas de gravidade variável. Geralmente, as causas do Pé Diabético podem ser categorizadas em três tipos principais:
Neuropatia
Neuropatia refere-se à degeneração dos nervos dos pés devido aos níveis de açúcar no sangue. Quando há uma ferida no pé, ela pode não causar dor, e a maioria das pessoas tende a acreditar que não se trata de uma doença, levando à percepção de que não há necessidade de atenção médica. Consequentemente, a busca por ajuda médica costuma ser tardia. A neuropatia inclui alterações tanto nos nervos motores quanto nos sensoriais, contribuindo ainda mais para o desenvolvimento de úlceras crônicas nos pés de pessoas com diabetes.
A neuropatia pode ser ainda categorizada nos seguintes tipos:
- Neuropatia Sensorial : Este tipo de neuropatia afeta os nervos sensoriais, levando à perda de sensibilidade nas extremidades. Normalmente, afeta primeiro as partes mais distantes, frequentemente apresentando sintomas nos dedos dos pés e nos pés. Quando há um atraso na percepção dos estímulos, torna-se difícil detectar lesões causadas por objetos cortantes, fricção ou mesmo corpos estranhos nos calçados. Negligenciar os cuidados adequados após a ocorrência de uma lesão pode facilmente resultar em infecções complexas.
- Neuropatia Motora : A neuropatia motora causa atrofia dos músculos dos pés, resultando em fraqueza muscular ou alterações no formato do pé, como arco plantar elevado. O desequilíbrio na musculatura dos pés leva ao aumento da pressão em certos pontos da sola, causando deformidades no arco plantar e protrusão dos ossos metatarsais. Isso torna os indivíduos mais suscetíveis a abrasões ao caminhar ou usar calçados. Aliado à dificuldade de cicatrização de feridas, pode levar ao desenvolvimento de condições crônicas nos pés de pacientes diabéticos.
- Neuropatia autonômica : Pacientes com neuropatia autonômica apresentam perda parcial de funções fisiológicas, incluindo o controle do fluxo sanguíneo, da transpiração, da umidade da pele e certas anormalidades nos nervos que compõem a estrutura óssea do pé. Tomando como exemplo a perda da regulação da umidade da pele, a hidratação inadequada pode resultar em ressecamento, levando ao aparecimento de rachaduras nos pés. As áreas com pele endurecida são particularmente propensas ao ressecamento. Na presença dessas condições, a pele seca e rachada pode se tornar um ambiente propício para infecções microbianas.

Obstrução vascular
Quando os vasos sanguíneos nos membros inferiores de pacientes diabéticos ficam obstruídos, a circulação sanguínea não chega aos dedos dos pés, levando gradualmente ao escurecimento e à necrose. À medida que a área obstruída aumenta, a condição é comumente chamada de “acidente vascular cerebral no pé” e a amputação pode se tornar necessária para o paciente.
Além disso, sintomas comuns em pacientes diabéticos incluem mãos e pés frios devido à má circulação sanguínea. Isso geralmente é causado por doença vascular periférica, na qual o suprimento sanguíneo inadequado para os membros inferiores (ou seja, isquemia local) resulta em hipóxia tecidual. Os tecidos afetados não conseguem receber nutrientes suficientes através da circulação sanguínea, e a eliminação de resíduos metabólicos também é reduzida. A doença vascular periférica é causada principalmente por arteriosclerose, com fatores de risco incluindo envelhecimento, tabagismo, obesidade e hiperglicemia. Os sintomas da doença vascular periférica incluem claudicação intermitente, pés frios e dor em repouso.
Infecção grave da ferida
Infecções graves em feridas podem levar à supuração e sangramento, e as bactérias envolvidas podem até causar osteomielite,potencialmente desencadeando sepse e colocando a vida em risco.
- Classificação de feridas em úlceras diabéticas
O método mais comum de classificação de úlceras do pé diabético (UPD) é a Classificação de Úlceras de Wagner (Sistema de Wagner). Este sistema de classificação categoriza as úlceras do pé diabético em níveis de 0 a 5 com base em fatores como a profundidade da invasão, a presença de osteomielite ou necrose e a extensão da necrose tecidual.
| Nota | Características |
|---|---|
| 0 | Pertence ao pé de alto risco (com anomalias estruturais ou celulite), sem úlceras. |
| 1 | Úlcera superficial, que cobre parte ou toda a camada da pele. |
| 2 | A úlcera invade ligamentos, tendões, cavidades articulares ou fáscia profunda, mas não há abscesso ou osteomielite. |
| 3 | Úlceras profundas, acompanhadas de abscesso, osteomielite ou artrite séptica (sepse articular). |
| 4 | Gangrena localizada, afetando parte do dedo do pé ou do calcanhar. |
| 5 | Gangrena extensa envolvendo todo o pé. |
(Crédito da foto: Shutterstock)
Referência:
- Frykberg RG, Zgonis T, Armstrong DG, et al: DISTÚRBIOS DO PÉ DIABÉTICO: UMA DIRETRIZ DE PRÁTICA CLÍNICA (revisão de 2006). Journal of Foot & Ankle Surgery 2006;45: S1-66.Monteiro-Soares M et al. Diabetes Metab Res Rev. 2023;e3648.
- Monteiro-Soares M et al. Diabetes Metab Res Rev. 2023;e3648.
- Armstrong DG et al. JAMA. 2023;330(1):62-75.Diabetes distúrbio metabólico
- Armstrong DG et al. JAMA. 2023;330(1):62-75.

